Nota de repúdio do colegiado sobre hackeamento da mesa “Covid-19 e gênero na América Latina”

O Colegiado do Instituto de Ciência Política repudia os atos violentos organizados por milícias digitais contra atividades de debate sobre desigualdades no contexto da pandemia.

 

A sétima mesa de debates sobre covid-19 organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília aconteceu em 3 de junho, com acesso aberto a todas as pessoas interessadas em participar,

 

em uma sala do zoom e com transmissão pelo facebook no IPOL. A mesa, chamada “Covid-19 e gênero na América Latina”, da qual participaram as cientistas políticas Mariana Caminotti (UNSAM/Argentina), Stephanie Rousseau (PUCPE/Peru) e Claire Nevache (CIEPS/Panamá; ULB/Bélgica), com mediação de Flávia Biroli (UnB/Brasil), foi interrompida abruptamente por hackers que roubaram o controle da sala virtual e inviabilizaram a continuidade da atividade no mesmo endereço.

 

É profundamente lamentável, mas esse tipo de violência infelizmente é muito comum em eventos que se dedicam a analisar criticamente as desigualdades, em especial as de gênero, e não nos surpreende que nosso encontro tenha sido alvo de grupos organizados para atacar atividades feministas. Ao contrário do que eles desejam, mantemos e manteremos fortes nosso diálogo e colaboração.

 

A coordenação do evento decidiu continuar, em uma sala fechada, o encontro “Gênero e covid-19 na América Latina” com nossas convidadas, ainda que sem público, e foi disponibilizada a gravação da segunda parte do evento na página de facebook do Instituto de Ciência Política da UnB – além da primeira metade do vídeo, que já estava sendo transmitido ao vivo.

 

Devemos lembrar que é papel fundamental da academia a produção de diálogo sobre os temas que afetam o mundo social a partir do respeito e apreço à ciência, que é a colaboração coletiva que construímos. As investidas anti-intelectuais, violentas e intolerantes ao trabalho acadêmico sempre serão repudiadas por nós. Em um combate contra as violências que buscam nos calar, sempre responderemos com nosso trabalho sério e por meio da direção crítica que tomamos enquanto cientistas sociais.