Instituto de Ciência Política - IPOL

DEMODÊ

Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades - Demodê - reúne pesquisadores e estudantes da Universidade de Brasília que se dedicam a investigar as implicações da convivência entre, por um lado, regras democráticas de gestão da organização política e, por outro, profundas desigualdades sociais. As atividades do Grupo contemplam a reflexão teórica e a pesquisa empírica.

Criado em 2001 com o nome Grupo de Pesquisa "Democracia e Democratização", foi rebatizado em 2011. Hoje, o Demodê é coordenado por Luis Felipe Miguel e Flávia Biroli. Seu trabalho se organiza em quatro linhas de pesquisa principais:

Democracia e gênero.
Democracia e capitalismo.
Democracia e informação.
Democracia e desigualdade racial.

As análises desenvolvidas no âmbito do Grupo partem da constatação de que democracia desfruta de enorme prestígio no discurso político contemporâneo. É um valor reivindicado por todos os lados em disputa, é o horizonte normativo indiscutível de qualquer forma de organização política. Tamanho consenso esconde uma profunda divergência quanto ao sentido da democracia: como é comum em relação a palavras que se tornam objeto de controvérsia política, os diferentes grupos empenhados em ostentar o rótulo promovem sua ressemantização, adequando seu significado aos interesses que defendem.

Não apenas o significado da democracia é polêmico, como convivemos com uma contradição patente entre seu sentido abstrato ou normativo mais corrente (o “governo do povo”) e as manifestações empíricas geralmente aceitas (os regimes eleitorais). O fato é que toda a idéia de democracia é, hoje, controversa; e essa situação não deve ser vista como passageira ou contingente. É um efeito de seu valor nas disputas políticas contemporâneas.

Uma parte significativa das dificuldades com o conceito de democracia advém do fato de que tentamos conciliar uma sociedade desigual com um ideal político que se funda na igualdade. A experiência grega, que nos legou a palavra e, em boa medida, também o imaginário associado à democracia, excluía os “diferentes” da esfera pública. Mulheres, escravos e metecos, além das crianças, não integravam a pólis. Os regimes contemporâneos, pelo contrário, são formalmente inclusivos. Décadas de lutas por direitos políticos retiraram as barreiras legais que impediam o acesso de trabalhadores, mulheres, minorias raciais e outros grupos em posição subalterna aos espaços de poder. A inclusão - que corresponde ao aspecto mais valioso da ordem política liberal - gera desafios para a prática da democracia e também para sua teoria.

A resposta que as correntes hegemônicas da teoria democrática dão a esses desafios passa pelo isolamento entre o mundo social e os direitos políticos - na esfera política, as desigualdades seriam colocadas “entre parênteses” e só teriam vigência os direitos que, sendo formalmente iguais, a todos igualam. No entanto, tal resposta é insuficiente. As desigualdades transbordam para o universo da política e os integrantes dos grupos subalternos possuem menos capacidade de intervenção, seja porque lhes faltam os recursos materiais, a começar pelo tempo livre, seja porque são marcados simbolicamente como alheios ao espaço da política.

Esse conjunto de questões baliza as pesquisas do Demodê, tanto na discussão teórica quanto em abordagens de caráter mais empírico.


Acesse o site

Você está aqui: Pesquisa DEMODÊ